domingo, 5 de julho de 2015

Indígenas no ensino superior: Um panorama


       Esta tese apresentada trata do encontro das politicas publicas voltadas ao ensino superior indígena e a experiência dos acadêmicos, os estudantes Guarani na licenciatura Intercultural indígena do sul da mata atlântica e seus arredores.  O objetivo dessa tese e demonstrar que o ensino superior assim como o Xamanismo, é um loco de interesse desses acadêmicos indígenas. Realizam um esforço vislumbrando a possibilidade de transito entre mundos: O mundo guarani e todas as especificidades culturais e o conhecimento que o compõem, e o não indígena, buscando o conhecimento dos brancos que lhes são apresentados na escola e educação superior.
      Clarisse Rocha de mello, apresentou sua tese junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia social, da Universidade federal de Santa Catarina. (UFSC). Neste capitulo especificamente ela faz um apanhado sobre as politicas publicas voltadas a inclusão indígena no ensino superior no Brasil e destaca alguns pontos sobre esse tema na América latina.
      Assim a autora começa relatando que essa pauta sobre o ensino superior indígena começa a fazer parte da pauta governamental, na década de 90 a partir da constituição de 1988, com a garantia por lei do ensino bilíngue. A formação de professores indígenas torna-se pré-requisito tanto no ensino fundamental como ensino médio. As demandas por ensino superior ganharam destaque através do curso de magistério superior, voltados ao atendimento da necessidade de formação de professores indígenas  para aturem em escolas de sua comunidade.
         A formação superior vem somar na luta por demarcação de terras indígenas e a gestão de territórios indígenas sendo um ferramenta central de acesso aos seus direitos e aos conhecimentos oriundos da sociedade hegemônica, na tentativa de um dialogo intercultural. Diante desse processo de luta pelo acesso ao ensino superior, alguns trabalhos foram produzidos pelo LACED, criticando a ação tutelar do estado sobre as terras indígenas. Por outro lado constatam a preocupação de órgãos governamentais em capacitar indígenas e suas organizações para solicitar recursos de diversas agencias de fomento sendo assim protagonistas desse processo.
        O primeiro levantamento provisório sobre educação superior para indígenas de Souza (2003), foi enfático no sentido de apontar carências  de dados estatísticos oficiais, de qualidade para analisar de fato a realidade da questão. O ensino superior indígena se expande de gradativamente em toda a América latina e é alvo de reivindicações dos movimentos indígenas e recebe atenção por parte dos governos nacionais e agencias internacionais.
         A autora trás dados de toda a América latina, algo que surpreende de como os indígenas conseguiram através de muita luta obter espaços em universidades que até então não era frequentados por indígenas. Mas esmo assim o que se percebe é que ainda há desigualdade no acesso dos indígenas aos serviços educativos. Há uma constatação geral nesses exemplos da América latina, tem a ver com uma suposta garantia de igualdade social como marco das republicas latinos americanas. Mas no cotidiano das instituições predominam politicas sociais de atenção universal, que sustentam as assimetrias e desigualdade.
        A universidade deve ser um espaço de formação qualificada de lideranças para elaborar e gerir projetos em terras indígenas e também para acompanhar o trabalho burocrático que envolve esses processos no nível governamental.
         Os cursos de licenciaturas interculturais indígenas tem sido as principais formas de acesso ao ensino superior juntamente com a reserva de vagas.  Ressalta a autora que as questões ligadas ao conhecimento, a formação dos estudantes indígenas são postergadas  centrando grande parte das discussões no âmbito burocrático.  As politicas voltadas ao povo indígena eclodem em caráter emergencial, seguindo a necessidade de formar professores indígenas para atuarem no ensino fundamental.
      Os magistérios indígenas são criados em algumas experiências de formação duram nove anos. Assim surge a necessidade de formar professores para atuarem nas escolas de nível médio nas escolas indígenas deixando assim um lacuna no ensino superior.

      
       REFRENCIAS:



Melo,  Clarissa Rocha de: Da Universidade à casa de rezas guarani e vice-versa :Reflexões sobre a presença indígena no Ensino Superior a partir da experiência Guarani na Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica/UFSC /Clarissa Rocha de Melo ; orientador, Antonella Imperatriz Tassinari - Florianópolis, SC, 2014. 405 p.

sábado, 4 de julho de 2015

ELEMENTOS PARA UMA TEORIA POLÍTICA KAIOWÁ E GUARANI


ELEMENTOS PARA UMA TEORIA POLÍTICA KAIOWÁ E GUARANI

CLEBER RODRIGO ALVES VALENTE

O presente trabalho a ser apresentado resulta da parte introdutiva e das considerações finais da tese de doutorado intitulada “ Elementos para uma teoria política kaiowá e  guarani” defendida em 2012, por Spensy  Kmitta Pimentel. Nesta será abordada a forma organizativa dos povos  Kaiowá e Guarani, onde estes estabelecem suas relações de convivência fazendo uma relação o que nós ocidentais estabelecemos como política, ou como menciona Spency na parte introdutória fazendo referência a política e  ainda acrescenta( estabelecendo, ainda, conexão como o que vem sendo denominando “cosmopolítica”. Ainda destaca que formas políticas a ser analisadas estão agrupadas em torno de três figuras de maior rendimento para exposição: tendotá, johexalkary e aty.
Pimentel começa destacando a forma pela qual os povos Kaiowá guarani valorizam suas questões inerentes a liberdade , e o autor deixa parecer  de forma muito clara suas críticas sobre o  Estado e suas relações de poder logo no início de sua abordagem fazendo reflexão acerca de como  o estado interfere    nas relações sociais deixando claro a intervenção quando necessária via  forças de repressão.
Para dar subsídios no tocante a forma interventiva exercida pelo Estado, o autor trás exemplos de como povos ao optarem por romper com estas formas organizativas de sociedade, poderiam estar contribuindo no sentido de exercer novas formas de organização e trás elementos importante para sua análise destacando      papel do movimento Zapatista no México.
Mas o objeto central de análise de Spensy, trata da política fazendo um comparativo buscando elementos de análise como ela se estabelece na chamada sociedade moderna que as relações de poder acabam evidenciando algumas questões inerentes sobre a desigualdade pela questão da distribuição de poder o que acarreta segundo o ator tais disparidades, e paradoxalmente não ocorre tais diferenciações nas sociedades primitivas, pois a questão sobre a autoridade se dá de forma automomática como afirma Spency (2012, p.19) “todo esse quadro é complementado por símbolos sagrados, valores místicos e um sentimento público, cultivado por meio de cerimônias periódicas, sem quais o senso de sentimento comum tende e esvaziar-se”.
Ainda nesta direção, ao autor avança destacando sobre as características que estão presentes entre  os povos indígenas, apoiando –se em estudos embasados sobre a ótica de Lévi-Strauss e Malinowski chamando a atenção para as características que compõe este líder onde a generosidade é uma das virtudes evidentes e que legitima atuação do líder frente ao grupo.
Para dar credibilidade a esta afirmação, de acordo com Spency (2012, p..25) “ Por toda a parte, portanto, o mais comum é que o chefe trabalhe como ninguém, tenha autoridade limitada e nenhum indicador de status superior, não podendo impor penas, comandos ou interferir em assuntos privados”.
Para ilustrar mais características se fazem presentes  no chefe dos ameríndios, Spensy (2012, p.26) destaca que: “ É, ainda, um pacificador cujas as tarefas estão divorciadas da disciplina e da violência – uma pluralidade generalizada, segundo ele”  .
Para reforçar, Spency (2012, p.29) ainda destaca que “ Por mais que tenha efetuado uma revolução copernicana no âmbito da Antropologia, o fato é que os elementos básicos da caracterização do chefe ameríndio não mudam após a passagem de Clasters: o chefe tem como atributos a oratória, a generosidade e capacidade d e manter a paz e tomar iniciativas”.
  Conforme Spensy (2012, p.32) “ Outros elementos teóricos de rendimento pontual ao longo de nossa argumentação serão oportunamente apresentados. Por ora, vale anotar um avanço justamente na direção do registro da forma como os próprios grupos ameríndios definem e percebem essa instituição da chefia, em seus múltiplos sentidos”.
Em relação ao contexto que definiu o contexto no qual foi elaborado o trabalho de campo Spensy( 2012, p.33) relata:
                                          O   trabalho de campo que sustenta esta tese, se realiza num contexto político bastante tenso, mas particularmente produtivo para a discussão da temática indígena no país. Entre agosto e dezembro de 2008, ano que iniciamos a pesquisa bibliográfica, ainda em São Paulo, aconteceram os lances decisivos do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, de mais de trinta ações judiciais questionando a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, homologada em 2005 com 1,74 milhão de hectares no norte do estado de Roraima.
Além do debate que permeava os povos indígenas da Raposa Serra do Sol, as atenções também voltavam para os Guarani- Kaiowá, o que colocava o debate sobre a demarcação indígena em discussão no cenário político nacional, onde se apontava diversos apontamentos e análises.
De acordo com Spensy (2012, p.33):
                                               Os Guarani – Kaiowá, considerados como um conjunto, são hoje, o maior grupo indígena do país fora da Amazônia( o segundo maior do Brasil) e tem oferecido aos defensores do direito humanos um enorme desafio, nos últimos anos. Essa população é, hoje um destaque nas mais recentes pesquisas que relacionavam violações de direitos de povos indígenas, não apenas no país , mas também internacionalmente.
Neste período, buscava-se  via MPF apontar direções na tentativa de suprir demandas indígenas focalizando sanar os impactos que estes povos sofreram como atentados não apenas as suas terras mas também as suas vidas como números apontavam. Isso desencadeou disputas políticas que iam de encontros a interesses de fazendeiros que repudiavam as determinações da FUNAI em favor dos índios.
De acordo com Spensy (2012, p. 42) “Forte debate público se seguiu à divulgação desse aumento de mortes com a desnutrição entre os Kaiowá e Guarani. Havia grande confusão sobre o número exato de óbitos efetivamente relacionados à mazela, mas, sobretudo na imprensa e nos meios políticos, ficou marcada a questão da desnutrição.”
Outro dado de proporções catastróficas abordadas pelo autor, refere-se ao número de suicídio entre os indígenas chegando ao número de 100 para cada 100 mil habitantes, número  20 vezes maior entre a média  nacional, além, do número de assassinatos que também é altamente elevado chegando a superar a taxa nacional inclusive das áreas mais violentas do país.
Na parte referente as considerações finais, Spensy (2012, p.300) ressalta:
                                           Creio que, em certa medida é possível comparar as situações dos Piaroa e Kaiowá. Entre estes, como vimos, também está presente, sim, essa autonomia pessoal, tal qual Overing a percebe. Potencialmente todo adulto poderia se tornar um tendo tá, e isso se infere, por exemplo, por toda essa discussão que fizemos no capítulo anterior, sobre a Aty – a questão é como sustentar o fluxo que é inaugurado no movimento de puxar a fila. Como vimos, os imensos constrangimentos ocasionados pela colonização não indígena, e particularmente, o o intenso desmatamento da região de floresta, em Mato Grosso do Sul são, hoje, fatores ais decisivos para impedir uma plena operação desses princípios políticos.

De acordo com Spensy (2012, p.303) “ Uma questão que permanece como forte divisor no debate é a universalidade ou não do controle político sobre a produção – isto é, a chamada economia política.  Nos últimos anos, parece ter ganhado espaço em certos meios a ideia de uma economia política amazônica, que envolveria não apenas o controle d a produção de coisa (mercadorias), e sim de pessoas.
Ainda Spensy faz uma referência embasado no pensamento de Clastres, mencionando exemplo da União Soviética onde teria abolido as classes sociais, se tornando uma sociedade não dividida, mas tendo acima dela uma máquina estatal que detinha o poder, buscando deixar evidente que é o estado que engendra as classes, e não o contrario como este o afirmava.
Ainda nesta esteira de pensamento, fazendo contextualizações sobre o Estado, Spensy (2012, p.310) assegura que “ O fato é que, seguindo a hipótese clastriana, o surgimento do Estado estaria mais para uma emergência de uma política econômica de que para uma economia política”.
E ainda dando continuidade ao tema, este afirma “ è ideia de contra Estado, permanece tão forte: sua existência, não a divisão de classes, é o nó da questão, - e, nesse sentido se pode entender a disputa do autor com os socialistas de sua época, comprometidos com as experiências  como a da URSS”.
Por fim, segundo Spensy (2012,p.315):
Considerando tratar-se de um pensamento que parte de bases  muito distintas das ocidentais, a respeito do que é a vida em sociedade, como se viu, a aposta é que possamos seguir ao encontro de uma filosofia política de grande originalidade. Entre a concepção do estado como  uma superintendência discricionária, tão cara a nossa cosmologia hobbesiana, e prática já descritas, alhures, como socialistas, há certamente muito espaço para discussão ainda, até que tenhamos um entendimento mais fino sobre o pensamento político ameríndio.

REFERÊNCIA:

PIMENTEL; S. K. Ementos para uma teoria política Kaiowá e guarani. Tese de doutorado. São Paulo, 2012, 316 pgs.


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Analise Etnográfica – Alimentação e Identidade no Território- MBYÁ- GUARANI a aldeia V’ya – Major Gercino (SC)

ACADEMICA: SALETE DO AMARAL

Analise Etnográfica – Alimentação e Identidade no Território-

MBYÁ- GUARANI a aldeia V’ya – Major Gercino (SC)

Este trabalho tem como objetivo análise etnográfica sobre a dissertação de Mestrado em Desenvolvimento Regional. Procura-se fazer uma leitura, dos diversos fatores realizados na pesquisa sobre o olhar da autora. Identificar as mudanças ocorridas pelos Guaranis, para o novo território em Major Gercino. A alimentação preparada pelas mulheres na aldeia V’va, qual sua importância para o grupo. Em que consiste a sobrevivência dos Mbyá- Guarani, e quais os planos para cultivar a cultura que vem se perdendo aos poucos.

Gabriel (2015) propõe avaliar os impactos que vem ocorrendo por parte dos organizadores sobre a subsistência dos envolvidos, não há um programa, direcionado para atender as necessidades de uma tribo indígena, em especifico. Os programas criados pelos órgãos responsáveis são generalizados para atender todo o território local e nacional, não dando importância para a cultura e valores tradicionais.
Mbyá - Guarani, na aldeia V’ya, situada na localidade de Águas Claras em Major Gercino, região Noroeste da Grande Florianópolis, estado de Santa Catarina, com ênfase na alimentação e suas práticas alimentares tradicionais. Trata-se de um grupo indígena que não diferencia identidade, território e organização social. Sua subsistência caracteriza-se pelo modo de ser guarani através de diferentes práticas cotidianas e coletivas, reconhecendo-se enquanto tais e sendo reconhecidos pelos outros.

A etnia Mbyá transita pela América Latina. Desde os tempos imemoriais esse povo é habitante das terras que se estendem entre o Uruguai, Argentina, Paraguai, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Pertencem ao troco Tupi-Guarani como os grupos Nhandeva e Kaiowá que se encontram ao norte desse território, cada grupo com suas particularidades alimentares e culturais.
Na atualidade os Mbyá-Guarani resistem como podem à cultura de massa inserida através dos veículos de comunicação. Utilizam-se deles para participarem de uma rede formada por diversas etnias para o fortalecimento da identidade através da discussão e formulação de projetos e políticas públicas que se referem à população indígena. Desde os primeiros contatos com a sociedade envolvente essa população cria estratégias de reconhecimento através de sua organização social.
Segundo Gabriel Artur Benite (werá mirim), é responsável pela aldeia V’ya, “tradicional” para eles é viver como seus avós viviam, plantando os próprios alimentos, caçando as carnes consumidas, tirando mel do mato, pescando nos rios, coletando frutos das árvores, tomando mate ao amanhecer, construindo as próprias moradias tudo sendo parte de uma identidade Mbyá-Guarani, com suas regras e tabus, permanências e mudanças, mas com o direito de ser e existir enquanto etnia. Ser Mbyá-Guarani é participar do passado, através da memória, decidir o tempo presente para se viver o futuro, como em qualquer outro grupo social. Mesmo nos dias atuais eles preservam na memória os modos de fazer as comidas, as diferenciações de tratamento por idade perante a educação dos filhos, diante das obrigações que o parentesco e a convivência em grupo trazem. Na aldeia as mulheres Guaranis, fizeram alguns tipos de comidas e o modo de fazer pamonha, e relataram o aprendizado culinário das meninas na família. Todos eles expressaram a satisfação de poderem estar na aldeia para viverem do “modo Mbyá” que para eles significa estar em contato direto com a natureza, com os alimentos que ela produz e perto da família, elemento muito valoroso na construção da identidade Mbyá - Guarani.
Desde 2009 muitas coisas mudaram na aldeia foi construído casas de alvenaria pelo governo, modelo que para os Guaranis não faz parte de suas tradições. A tradição de construção das casas é feitas de barro e cobertas com folhas de palmeiras cultivadas na aldeia. Fizeram roças e puderam desfrutar das colheitas, incluindo a retirada de mel de abelha que também faz parte do cultivo alimentar dos Guaranis. Vinte e três famílias vivem nos espaços na aldeia e compartilha dos saberes da terra e das tradições guarani.
O grupo Guarani viveu dois momentos. O primeiro por viverem em território que tinha condições suficientes para desenvolver suas habilidades com a terra. O segundo e atual por ter que tirar sua sobrevivência da terra, e reconstruir um sistema alimentar que vem se perdendo aos poucos.
1.      O Território e a Identidade

Segundo Gabriel, entre europeus e Mbyá-Guarani na região Sul do Brasil, em meados do século XVI, efetivamente, eles haviam prestado uma grande contribuição para a sobrevivência dos europeus durante todo o século XVI. Suas roças abasteceram com alimentos frescos os navios. Suas flechas e armadilhas mataram animais que forneceram carne para os europeus. Os córregos de água fresca que conheciam abasteceram os tonéis dos barcos. Os Mbyá-Guarani trasitavam entre o Uruguai, Argentina, Paraguai, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito, os grupos se deslocavam de um lugar para outro. Visitavam outras aldeias de sua etnia.
No século XVI, os tupis-guaranis distribuíram-se por uma área geográfica muito vasta. Os tupis ocupavam a parte média e inferior da bacia do Amazonas e dos principais afluentes da margem direita. Dominavam uma grande extensão do litoral atlântico, da embocadura do Amazonas até Cananéia. Os guaranis ocupavam a porção do litoral compreendida entre Cananéia e o Rio Grande do Sul; a partir daí, estendiam-se para o interior até os rios Paraná, Uruguai e Paraguai. Da confluência entre o Paraguai e o Paraná, as aldeias indígenas distribuíram-se ao longo de toda a margem oriental do Paraguai e pelas duas margens do Paraná. Seu território era limitado ao norte pelo rio Tietê, a oeste pelo rio Paraguai. Mais adiante, separado deste bloco pelo Chaco, vivia outro povo guarani, os chiriguanos, junto às fronteiras do Império Inca (CLASTRES, apud,Gabriel 1978, p. 8).
A autora faz relato de territórios atualmente ocupados pelos Mbya, Nhandéva (Xiripa) e Kaiova, grupos Guarani que se encontram hoje no Brasil, compreende as partes do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Uruguai. O Censo Demográfico  realizado pela Funai em 2010 mostra que entre os Tupi-Guarani estão 35 diferentes grupos sendo os Guarani Kaiowá 43.401, os Guarani Mbyá 8.026 e os Guarani Nhandeva 8.596 mil habitantes. A pesquisa apresenta um número crescente que indica a alta taxa de natalidade. Em Santa Catarina, centenas de sítios e evidências arqueológicas guarani comprovam a presença dessa população nos períodos pré-colonial e colonial. No inicio do XIX, começaram as pesquisas arqueológicas e muitas matérias cerâmicas pertencentes aos Guarani foram encontradas, principalmente nas regiões litorâneas, Laguna, Balneário Camboriú (...). Os Mbyá Guaraini tinham por costume, visitar outras aldeias e ficar passando algum tempo e faziam trocas de sementes e outras necessidades de sua tradição. Hoje eles relatam que tudo se tornou mais fácil. As viagens são mais rápido devidas aos meios de transportes. Neste sentido podemos ver que ainda existe uma população significante de povos Guarani em varias regiões do Brasil.
A natalidade é de responsabilidade das mulheres, a questão de ter ou não filhos, e criá-los. E também a responsabilidade de cuidar da alimentação e educação dessa criança.
  De acordo com Pierre Clastres (2004, p. 216), revela-se aqui uma proximidade imediata entre vida e feminidade, de modo que a mulher é, em seu ser, ser-para-a-vida. Com isso se evidencia, na sociedade primitiva, a diferença entre homem e mulher: como guerreiro, o homem é ser-para-a-morte; como mãe, a mulher é ser-para-a-vida. É seu vínculo respectivo com a vida e a morte sociais e biológicas que determina as relações entre homens e mulheres. No inconsciente coletivo (a cultura), o inconsciente masculino apreende e reconhece a diferença dos sexos como superioridade irreversível das mulheres sobre os homens. Escravos da morte, os homens invejam e temem as mulheres, senhoras da vida. Tal é a primitiva e primordial verdade que uma análise séria de alguns mitos e ritos revelariam.
Mbyá-Guarani A situação dos guerreiros. Nos dias atuais, um dos filhos mais velhos de seu Artur Benite (werá mirim), que reside na aldeia V’ya em Major Gercino tem o nome de Marcelo Benite em português, karaí xondaro, Seus conhecimentos são também repassados pelas gerações dos homens guardiões dos saberes da luta/dança que foram denominados “Xondaro”.Mendes (2006, p. 98) relata que “quanto à característica de luta, no Xondaro e em outras danças, observa-se o treino corporal/espiritual de ataque e defesa”. Segundo a autora a dança imita movimentos de animais e pode ser realizada no pátio da aldeia ou na casa de reza. Esgueirar-se, desviar-se, defender-se dos enfrentamentos diretos; a luta de guerrear sem armas. Os Xondaro’i e Xondaria’i seriam os guardiões e guardiãs Guarani, “os guerreiros da paz. Mbyá-Guarani assim como outras tribos desenvolve suas habilidades de defesa.
Alimentação Mbyá-Guarani.
Gabriel (2014) aponta que no Brasil, como vários países do hemisfério sul, é biologicamente rico. Mas mais do que a maioria dos países, ele é rico também em populações que conservam e desenvolvem conhecimentos sobre as espécies vivas. O que parecia uma pobreza, o pequeno número de indivíduos em cada sociedade indígena, a ênfase na diversidade de produtos e na exploração ampla dos recursos em vez de uma agricultura centrada em poucas espécies, revela agora um trunfo. Há registros que citam que antes dos europeus chegarem ao Brasil, já havia uma disputa entre os povos originários por território rico e fértil para alimentação.
Segundo Gabriel (2014 apud DAMATTA,1986). Algo que diz respeito a todos os seres humanos: amigos ou inimigos, gente de perto ou de longe, da rua ou de casa, do céu ou da terra. Mas a comida é algo que define um domínio e põe as coisas em foco. Assim, a comida é correspondente ao famoso e antigo “de-comer”, expressão equivalente à refeição, como de resto é a palavra comida. Por outro lado, comida se refere a algo costumeiro e sadio, alguma coisa que ajuda a estabelecer uma identidade, definindo, por isso mesmo, um grupo, classe ou pessoa. O alimento é algo universal e geral.


No que se refere à culinária indígena, pode-se dizer que não havia um desejo de mudança da dieta alimentar e seus efeitos negativos para a saúde dos indígenas, também não havia uma preocupação com as consequencias do convívio entre brancos e índigenas. De acordo com Gabriel (2014) “com a colonização esse conhecimento alimentar foi desestruturado a partir das mudanças demográficas.” A partir desse fato, houve uma condensação demográfica do litoral, o que correspondeu à difusão ou restrição da culinária indígena.
Segundo Gabril(2014) para os Mbyá-Guarani, a questão da moradia, casas de alvenaria e casas construídas de barro  tem haver com o preparo dos alimentos o modo de cozinhar.  No entanto, não são todos os moradores que se adaptam a cozinhar e dormir nas casas de alvenaria. Outra diferença é o cozinhar no fogão a gás, “não tradicional”, e no fogo de chão considerado por eles a forma “tradicional”. Segundo eles a comida se altera. Os Mbyá-Guarani dormem cedo, assim que anoitece, e o dia começa para eles por volta das cinco horas da manhã, por esse motivo a luz elétrica muda o cotidiano da família e os hábitos dos moradores da aldeia.

Há uma área coberta de mata chamada por eles de“aldeia tradicional”, com casas de barro onde o teto é feito com um trançado de palha de pindoí. Uma construção tradicional chamada hoje de “Escola Tradicional” foi construída na entrada da aldeia e a “Escola” de alvenaria é uma casa anteriormente construída, adquirida com a compra do terreno. O convênio entre DNIT/FUNAI determinou a construção de casas de alvenaria, cerca de oito, com energia elétrica, para que os Mbyá-Guarani pudessem habitá-las. As casas são hoje ocupadas pelos mais jovens, servem como escritório para receber pessoas de fora da aldeia e uma cozinha coletiva onde o cacique, Artur Benite (werá mirim)de 72 anos, faz a divisão das tarefas diárias (Gabriel 2014,pg.32)

Casas construídas de barro.
Casas de alvenaria na aldeia Mbyá-Guarani.

 Para os moradores Guarani as casas de alvenaria não fornecem as condições de viver como tradição de costume igual às casas de barro. Não podem fazer fogo no chão, pois a casa é de telhado e não tem para onde sair à fumaça. Quando não chove eles fazem o fogo na rua, e permanecem nas casas de alvenaria. E quando chove muitas famílias dormem nas casas de barro no interior da aldeia. As casas de barro fazem parte da tradição deles, podem fazer o fogo de chão e se aquecerem, a cobertura é feita de palha, a fumaça sair pela as aberturas do telhado. 
Organização e parentesco.
Na aldeia V’ya a família Guarani, distribui as funções. Entre merendeira, agente de saúde, responsável pela plantação, casa, pesca, colheita, tradição de luta, Page entre outros cargos que vazem parte da aldeia. A plantação e a pesca são preceitos básicos para sua sobrevivência na aldeia, e também resgata a cultura alimentar dos Guarani. Eles guardam referencias de seus antepassados para não deixar morrer a tradição.
Seu Artur (werá mirim) conta que hoje tem “sessenta netos e sete bisnetos  dezenove filhos, mas quatro mortos e quinze vivos, oito mulheres e sete homens. Aqui tem treze e o outro está lá no Morro dos Cavalos, Maciambú minha filha e outra em Nanoai”. O senhor de 72 anos comenta. Que ao perder uma esposa, sentiu-se e não conseguia fazer alimentação, então se casou para ter alguém para cozinhar Gabriel (2014) afirma que a questão da família esta centrada na alimentação, representada pelo feminino, que cuida da casa, família, e cozinha.
A família – e o parentesco de forma mais geral – supõe homens e mulheres e, como veremos, o gênero é também construído, no plano das representações, através da percepção da comida. Com isso queremos dizer que a comida “fala” da família, de homens e de mulheres, tanto para o antropólogo que realiza uma leitura consciente dos hábitos de comer, como para os próprios membros do grupo familiar e através deste, da sociedade que realizam uma prática inconsciente de um habitus alimentar (GABRIEL, 2014, pg.38)
A relação de produção é recíproca

Os povos originários vivem de maneira diferenciada. Para eles a terra é um bem comum, todos podem desfrutar das riquezas da terra, plantar caçar, morar. Vivem com igualdade dentro dos limites em que a terra lhes – oferece. São livres não tem chefes ou patrão para mandá-los. Fazem suas próprias leis, definem seus horários.
Considerações
Fazer uma analise sobre povos originários, requer muito tempo para explorar um vasto campo, cheio de riquezas que esses povos apresentam em cada pesquisa realizada. Verificou-se a questão da alimentação, parentesco, território e a vida na aldeia.
A mulher tem um papel fundamental para a criação dos filhos, e também para o preparo dos alimentos, e cuidados com todos os membros da família. Observou-se o difícil adaptar, dos Guarani, com as casas de alvenaria, e até mesmo a própria cultura do homem branco que vai aos poucos se inserindo na cultura dos Guarani causando muitos desconforto as mudanças. No entanto não podemos deixar de refletir sobre as mudanças ocorridas historicamente de territórios ocupações de terra não adequada aos modos de vida Guarani. Sendo obrigados a conviver com outras culturas. Buscam outras formas de subsistência tentando sobreviver aos desencontros de suas tradições.


Referencia


VANDREZA, Amante Gabriel.Outubro 2014 Blumenau SC.

A organização política e social Guarani

      Este trabalho analisado foi inicialmente apresentado como dissertação de mestrado no curso de Pós-graduação em história da PUCRS, com o titulo Organização Sócio-política Guarani: aportes para a investigação arqueológica. Sendo que o texto é o mesmo não havendo alterações.
      Neste trabalho, portanto se apresentam algumas propostas sobre a organização social e o sistema de parentesco Guarani, com destaque a sua importância para a compreensão do padrão de assentamento e distribuição deste grupo no tempo e espaço antes do contato com o europeu. Assim é, portanto um trabalho bibliográfico.
      O capitulo a ser analisado trata sobre os elementos da organização social, como as amizades formais, a formação da aliança, os grupos de trabalho e de comer, a organização politica e o cacicado, (instituição de centralização de poder politico e social diferente da tribo, onde existem caciques). Ainda é tratado neste capitulo sobre as relações sociopolíticas entre as unidades organizacionais como a família extensa, a aldeia, o território e a região, bem como as relações entre os grupos Guarani e os não- guarani. E por fim o autor aponta a questão do cruzamento das informações históricas e arqueológicas para sugerir os limites entre os cacicados e a existência das parcialidades em nível pré-contrato com o europeu.

A ORGANIZAÇÃO SOCIAL GUARANI:
      Para o autor tratar da organização Guarani no período dos primeiros contatos, com o objetivo de aproximar-se da organização pré-contrato, é peneirar informações bibliográficas de modo a buscar o explicito e o oculto, pois são diversas as informações que se repetem constantemente por cronistas e historiadores e outras são renitentemente omitidas. Portanto o autor buscou reunir sistematicamente as informações obtidas ao longo de mais de 400 anos, na tentativa de remontar um quebra cabeças com um numero infinito de peças, cuja totalidade ele não os possui.
       A estruturação do povo Guarani tem como pan0o de fundo uma forte organização de chefia, de cacicado, de vassalagem, e de prestigio, que sem dúvida, é encontrada nos outros elementos da cultura, como parentesco, economia, e até religião, se pensarmos em messianismo como cita o autor. Assim neste trabalho o autor utiliza o termo de cacicado para definir o vasto leque de sociedades  com a organização politica entre a tribo é o estado. As características componentes do cacicado mudam em cada caso, variando de obras publicas de grande porte, passando por enterramentos elaborados, hierarquia politica e ou religiosa, rede de comercio até a centralização do poder sem muitos vestígios matérias.

3.1 Cacicado Guarani-Conceito e abrangência social.
     
     A primeira coisa a ser realizada diz respeito ao conceito de cacicado. O termo cacicado não é originário do Brasil, mas foi importado das Antilhas e usado desde a época do descobrimento da América. Ela aparece primeiramente citada na região centro-americana, e mesmo as discussões atuais não deram conta de esclarecer o termo.
      Assim o autor parte do principio que as características sociopolíticas que a sociedade guarani apresenta permitem enquadrá-la ao modelo de cacicado. A presença de enterramento diferenciado a hierarquia entre as chefias, a existência de uma liderança que é reconhecida dentro de uma região, os elos de parentesco sanguíneo e politico que ligam as aldeias, a existência, de uma agricultura desenvolvida capaz de gerar excedentes assim como a unidade sociopolítica presentes na parcialidade.
     O cacicado Guarani e a chefia manifestam-se em diferentes níveis, de acordo com as categorias classificatórias da organização social. Devem-se discriminar os diferentes termos aplicados às diferentes lideranças nos distintos graus de complexidade desta organização social.
      Tais distinções dos termos aplicados às diferentes instancias sociais pode esclarece o tamanho e abrangência da comunidade ou das comunidades, além de possibilitar a hierarquização das ocupações em termos de tempo e espaço.  Embora os dicionários de Montoya não realizem a associação direta entre prestigio-hierarquia social, percebe-se diversas instancias de poder e vassalagem no qual se refere aos termos adotados. A vassalagem deve ser visto como um reconhecimento de chefia organizada, usada na América, ao contrario original empregada na Europa medieval. O capitulo segue com as definições que levam a crer uma organização social a partir de um cacicado, com uma organização própria do povo Guarani.

3.2 Relações entre aldeias, Teko ás e Guaras.
   
     Não existe, na atualidade, qualquer trabalho sintético sobre a importância destas relações para a manutenção social e étnica entre o guarani. De fato, a rede de relações que ligava as diferentes parcialidades e as aldeias não foi profundamente estudada. Tratando-se dos Tupi ou Guarani, desde os históricos até os modernos.
     Uma das características do Ethos Guarani é a reciprocidade. Essa mesma reciprocidade pode ser demonstrada através das alianças e mais cotidianamente através dos convites.
     Para os guarani pré-contrato, é possível que os grupos de trabalho existissem e funcionassem de modo similar aos tapirapé, uma vez que a economia é essencialmente social e simbólica. Com efeito, a atividade coletiva é a reunião de esforço de todas as Mãos. Potyrõ, que podem concentrar os habitantes de uma casa ou aldeia.
     Em nível de teko´a´ pode talvez ser expandido ao Guará, a honra de comer no mesmo prato e seu papel social pode ser percebido nos convites mais abrangentes. Deve se abrir um parênteses para descrevera  forma de como os Guarani se comunicam, espalham as novidades e mantêm-se informados dos eventos e acontecimentos. Uma rede de comunicação era estabelecida a fim de manter os povoados avisados, seja da visita de lideranças politicas e religiosas, seja para anunciar um convite festivo ou a guerra.

3.3 relações sociais com grupos não Guarani. 

      Primeiramente deve se ter em mente que os Guarani tinham identidades próprias, uma identidade regional ligada a um espaço sócio-cultural também trazido por região. A forma que os Guarani tratam outras nações não Guarani é demonstrada da seguinte forma:
                                                                          “ É esta gente valorosa na guerra e onde quer que estejam tem sujeitas as nações circunvizinhas. São altivos e soberbos e a todas as nações chamam escravos menos ao espanhol” ( informe de um jesuíta anônimo sobre as cidades do Paraguay e o Guairá. Dezembro de 1620, pg.163)
     


Assim chama os Guarani as demais nações.
     Sob esta ótica, associado a guerra entre as parcialidades Guarani, poderia ocorrer um genocídio entre  os próprios apoiados pelos europeus. Demonstrando assim um provável conflito entre parcialidades em busca da guerra de espaço.

3.4 Propostas para delimitação dos cacicados Guarani. 

     Tratar da organização social e do cacicado somente através das fontes arqueológicas é tarefa impossível, senão desnecessária.
      A sociedade Guarani tem como base o culto e a perseguição do modo de ser, no qual fica clara a importância do prestigio da organização social. É pelo prestigio que se impõe a liderança politica e determina a localidade pelo prestigio que se considera o valor de uma família, é através do prestigio que se conhece a filiação e por isso não há linearidade.
     O cargo de cacique é dado pelo prestigio, sem herança de posto. É através do prestigio que um pai de família extensa torna-se chefe de aldeia e é através do prestigio que concentrará pessoas ao redor de si.
      Sendo assim a forma de busca pelo prestigio, se dará de forma continua pois a reprodução é a ordem vigente e nenhum membro permitira desvios que ocasionem a deriva cultural.


GUARANI: Organização social e arqueologia / André, Luis R. Soares. Porto Alegre: EDIPUCCRS,1997.
    



As divinas palavras: identidade étnica dos Guarani-Mbyá





Este livro foi escrito é o resultado da dissertação de mestrado do Litaiff dentro da Antropologia Social, estudando afundo o povo Guarani-Mbyá, que estão localizados em Bracuí, na Serra do Mar, Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro.
A aldeia de Bracuí é formada por 30 habitantes divididas em pequenos núcleos, sendo o centro, a residência do Cacique e a Opy que é a casa de reza. Dentre a história dos povos Guarani, o livro também constroem falas sobre sua língua, organização social, subsistência, religião e medicina, mitologia, migrações, contraste, conflito, antropofagia, representações étnicas. Dentro de cada item deste o autor destaca como é para estes índios dentro da cultura e traz a realidade existente com a mudança na sociedade, junto com estas informações traz os problemas desta sociedade que segundo o cacique perde se da tradição antiga.
Em diversas partes do texto o que mais destaca para os índios são as terras ou a crença na impossibilidade de encontrarem Tekoá “terra onde o branco ainda não chegou”, sendo uma terra que possibilitará os índios a  viver de acordo com as leis de sua cultura. Porém esta procura acaba levando a descrença deste povo indígena.
Segundo Litaiff, traz uma compreensão do que os índios Guarani –Mbyá defendem como representação de sua identidade cultura.
1) Nasce e viver em uma aldeia Mbyá, 2) praticar endogamia unindo-se somente a membros de uma das famílias que constituem a população dessa aldeias, 3) falar o idioma nativo utilizado por todos os indivíduos  da comunidade, 4) jamais abandonar as leis regras sociais (“ethos”) contidas em seu sistema cultural “teko”, 5) Não cometer violência contra seus “parentes Mbyá” ou qualquer estranho, 6) Mbyá puro deve ser enterrado no cemitério da aldeia, 7) Não abandonar a religião do grupo, praticando diariamente a oração noturna, 8) Preservar e nunca explorar comercialmente a terra e seus recursos naturais, pois o “mato nossa casa” (lembrando também que a Terra para o Mbyá é ser vivo dotado de vegetação que são seus “pelos”), 9) procurar alimentar-se com “comida do mato”, evitando produtos industrializados  e, principalmente, bebidas alcoólicas, 10) Sempre seguir ao Cacique da Aldeia, cujas palavras devem ser ouvidas todas as vezes que este as proferir. (LITAIFF, 1996, p. 142)
Com este trecho o autor traz alem da identidade deste povo, mas também a angustia do contato que tem os povos brancos que criam grandes influencias nesta aldeia, causando mudanças e perca de seus povos, como relata no texto os suicídios na aldeia como um dos grandes fatores agravantes nesta aldeia.
Concluindo o autor traz no texto os seguintes registros da aldeia sendo problemas causadores de perca da identidade deste povo são: a falta de terras, doenças, subnutrição, alcoolismo e a desagregação social.

Todas estas indagações levam a pensar que muitos problemas que ocorrem ainda hoje nas aldeias e são identificados por vários autores, porém não significa que ainda esta da mesma forma ou que ainda sejam estes os mesmos problemas, mas era a realidade era encontrada pelo autor na sua pesquisa daquela época.
Universidade Regional de Blumenau – FURB
Centro de Ciências Humanas e da Comunicação
Graduação em Ciências Sociais – 5 semestre

Disciplina: Etnologia Indígena
Professor: Marilda Rosa Galvão Checcucci Gonçalves da Silva
Acadêmica: Beliria da Rosa Prado Brockweld
Data:24/06/2015
Jacupé, Kaka Werá, A Terra dos Mil Povos: História Indígena Brasileira Contada por um Índio / Kaka Wera Jacupé.-São Paulo: Peiropolis, 1998.-(Série educação para a paz)
Metodologia Utilizada
O autor mostrar as culturas indígenas, como ela importante para os seus povos, como suas crenças os fortalece, como sua alimentação que é totalmente diferente da nossa, pois eles sequem uma dieta e tem seus horários totalmente diferenciados dos nossos são importantes para sua saúde.
                                  
 Kaka é um apelido, um escudo. De acordo a nossa tradição, uma palavrar pode proteger destruir uma pessoa; o poder de uma palavra na boca é o mesmo de uma flecha no arco, de modo que ás vezes usamos apelido como patuás. (Mais adiante falarei sobre isso.)
Werá Jacupé é o meu tom, ou seja, meu espirito nomeado. De acordo com esse nome, meus espirito veio do Leste, fazendo um movimento para o sul entonando assim um som, uma dança, um gesto do espirito para matéria, que nos apresenta ao mundo como uma assinatura. Essa assinatura registrada na alma me faz algo como um neto do Trovão, bisneto de Tupã. É desta maneira que somos nomeados, para que não se perca a qualidade da Natureza de que descendemos.
 Para cultura Guarani, na qual fui iniciado, em São Paulo, onde nasci, o ato da nomeação é a manifestação da parte céu de um ser na parte terra. O céu é um mundo espiritual, a raiz de todos nós. A terra é a contraparte material do espirito. Esta cultura se fundamenta em uma tradição que vem desde quando a noite não existia, chamada “Arundu Arakuaa”, que pode se traduzir como “ A Sabedoria dos Ciclos do Céu” ou “O Saber do Movimento do Universo”. E é também sobre os fundamentos dessa tradição que vamos falar. Eu Sou Kaka Werá Jacupé
Também passei por cerimonias de iniciação e reverencia aos meus antepassados do Araguaia, banhando –me e cantando em suas águas, com o acompanhamento de parentes xavantes, seguindo um impulso do meu coração. Andei por cerrados, pela Mata Atlântica, pelas serras, de aldeia em aldeia, de norte a sul do país, colhendo sabedoria deixada por seres de cabeças brancas, seres de cabelo por nascer, pelas plantas, animais, pedras. Mas nem sempre fui assim. Na minha infância me distanciei da tradição quando fui estudar na escola pública, onde aprendi a arte de ler e escrever. Após quase quinze anos longe de minhas raízes, iniciei uma peregrinação a procura do meu espirito, que foi reencontrado novamente entre os Guaranis e foi consagrado, depois de muitos atos de purificação de boa parte de minhas ignorâncias e mazelas, no belíssimo Tocantins pela cultura krahô onde passei a ser conhecido como Txutk,”semente do fruto maduro. 
 O índio não chamava nem chama a si mesmo de índio. O nome “índio” veio traduzido pelos ventos dos marres do século XVI, mas o espírito “índio” habitava o Brasil antes mesmo de o tempo existir e se estendeu pelas Américas para, mais tarde, exprimir muitos nomes, difusores da tradição do sol, da lua e do sonho. Então o que é índio, para o índio? Eu vou responder conforme foi me ensinado pelos meus avós, através do Ayuu Rapyta, passado de boca a boca com a responsabilidade do fogo sobre a noite estrelada, e através das cerimonias e encontros por que tenho passado com os ancestrais na terra e no sonho. Para aprender o conhecimento ancestral o índio passa por cerimonias, que são celebrações e iniciações para limpar a mente e para compreender o que nós chamamos de tradição, que é aprender a ler os ensinamentos registrados no movimento da natureza interna do ser.
Os Nanderus são os ancestrais do ser humano. Essas divindades têm muitos nomes, pois somos muitas nações com muitas línguas diferentes, ou seja, muitas formas de perceber as realidades sagradas. Esses especialistas da natureza podem ser chamados de Entidades Sagradas, que juntamente com as Quatros Divindades Dirigente, formam o que o índio chama de Ancestrais Primeiros. É da natureza do índio reverenciar os ancestrais, os antepassados.  Milhares de anos que este povo vem se desenvolvendo por estas terras fundamentara-se três grandes tradições: Tradição do sol, Tradição da lua e tradição do sonho. Atravessaram três estações cósmicas: Jakairá, Karai e Tupã. Nessa quarta estação procuram fazer a síntese das tradições anteriores, que podemos chamar de tradição da grande mãe, não porque essa variedade de povos aqui existentes assim a nomearam, mas porque, dentro da diversidade de ritos e culturas, têm em comum o culto e a reverencia à Mãe Terra, que ofertava ( e ofertava) tudo que necessitam. A cultura a reverencia a Mãe Terra, foi se formando através dos ciclos das estações da natureza com os povos aqui existentes e houve um momento em que floresceu na região amazônica, onde a sabedoria deixou rastros através dos fragmentos da terra. O Que é Índio
Tupi, Guarani, Tapuia, Xavante, Kamayurá, Yanomami, Txakarramãe, Kaingang, Krahô, Kalapalo, Yawalapiti. São nomes que pulsam no chão dessa terra chamada Brasil, formando suas raízes, troncos, galhos e frutos. São raças? Nações? Etnias? São a memória viva do tempo em que o ser caminhava com a floresta, os rios as estrelas e as montanhas no coração e exercia o fluir de si. Esses clãs, tribos, povos têm uma árvore em comum que remete aos nomes: Tupy, Jê, Karib e Aruak. Mas, antes da chegada das Grandes Canoas dos Ventos do século XVI, o que podemos chamar de povo nativo era olhado e nomeado, do ponto de vista tupi, como Filhos da Terra, Filhos do Sol e Filhos da Terra e filhos da Lua. Na língua abanhaenga também dizi-se Tupinambá, Tupy-Guarani e Tapuia. Terra dos Mil Povos
Grande parte da cultura dos povos nativos brasileiros traz em seus mitos, cerimônias e filosofias (ligadas á Tradiçãodo sonho, do Sol e da Lua) um conjunto de práticas e início desse ciclo que o Ayuu Rapyta foi disseminado entre os frutos Tupinanbá e Tupy-Guarani.
O primeiro ciclo foi regido por Jakairá, a dinvidade responsável pelo espirito, pela substância, pela neblina e pela fumaça. O segundo ciclo, por Karai Ru Ete, a dinvidade responsável pelo Fogo e pela Luz. O terceiro ciclo, por Tupã, a divindade responsável pelos raios, trovões e águas. O quarto ciclo, por Namandu, que se responsabiliza pela terra, mas que é O Grande Mistério. Namandu antecede todos os ciclos e permeia todos; é a Grande Unidade, embora seja um Ser Tribo. Cada ciclo se entrelaça com todos os reinos de vida: mineral, vegetal, humano, supra-humano, divini, e se intercala em tons pelos três mundos que se entremeiam e formam o mundo que vemos. Pela leitura da natureza, a aranha ensina como funciona esse entrelaçamento e intercalação de mundos que é o mundo. Na sua tecedura estão escritos os princípios da Tradição. Arundu Arakuaa
 Foi durante o Primeiro Grande Ciclo da terra, através de Jakairá, que ela foi verdadeiramente povoada. Era a época das Tribos-Pássaros e dos Povos Arco-Íris.
Tupã reagiu limpando todo o mal com o Sal da Terra. As Águas abraçaram a Mãe, para que ela não morresse desse mundo. No ciclo anterior, de Karai, fora o fogo que separou o que tinha que separar e uniu o que tinha que unir. E no primeiro ciclo, de Jakaírá, foram os ventos. Tupã
Os povos indígenas brasileiros, mais precisamente os Tupinambá e os Tupy- Guarani, descendem de ancestrais chamados pelos antigos de Tubuguaçu, que detinham uma certa sabedoria da alma, ou seja, do ayuu, o corpo som do ser. A partir dessa sabedoria ligada a uma ciência do sagrado, desenvolveram técnicas - na verdade, intuíram técnicas- de afirmar o corpo físico com a mente e o espírito. O Corpo-som do Ser
A memória cultural se baseia no ensinamento oral da tradição, que é a forma original da educação nativa, que consiste em deixar o espírito fluir e se manifestar através da fala aquilo que foi passado pelo pai, pelo avô, e pelo tataravô. A memória cultural também se dá através da grafia-desenho, a maneira de guardar a síntese do ensinamento, que consiste em escrever através de símbolos, traços, formas e deixar registrado no barro, no traçado de uma folha de palmeira transformando em cestaria, na parede até no corpo, através de pinturas feitas com jenipapo e urucum. A memória Cultural
Alguns exemplos: o povo Karajá mantém através da sua memória cultural o reconhecimento como um Espírito-Mãe a que ele denomina Aruanã; o povo Tupy- Guarani mantém em sua memória o reconhecimento de que foram gerados pelo Sol pela Lua quando estes habitaram a Terra como Homem- Lua e Mulher- Sol: o povo Xavante pinta em seu rosto um “girino” para referenciar a origem humana a partir das águas e pinta o seu corpo de vermelho e preto com traços que aludem à ancestralidade.
Desses povos, este solo guarda fragmentos milenares, que a arqueologia recompõe, revelando aos pouco sua caminhada no início de seu florescimento.
Os Tapuia, na visão dos tupinambás, precisavam acordar seus nomes. Já os Tupy-Guarani acharam que eles precisavam recordar seus nomes. Aparentemente, não há muita diferença entre um termo e outro. Mas isso significou maneiras totalmente opostas de lidar com os filhos da terra. Os Ancestris
 Pelos fragmentos espalhados através dos sítios arqueológicos de norte a sul do Brasil, esse imenso quebra-cabeça que a Mãe Terra nos legou claramente indica que um grande florescimento civilizatório ocorreu justamente na região amazônica por volta de 4.000 anos atrás. Se juntarmos a memória cultural dos povos às investigações da ciência, podemos ter uma ideia do tipo de civilização que habitou ali por esse período.                          A Memória da Terra
Até um passado recente, para se aprender a história de um período cultural empregava-se normalmente a averiguação de documentos escritos; contudo, a arqueologia é uma maneira de descobrir a reconhecer o passado através dos objetos produzidos pelo homem, vestígios de suas casas, restos de alimentos, instrumento de trabalho, armas, enfeites e pinturas. A esses objetos os arqueólogos chamam “cultura material”.
·         Ambá Namandu- Morada dos Espíritos Anciães.
·         Ambá Jakairá- Morada dos Espíritos Brumas.
·         Ambá Karai- Morada dos Espíritos Fogos.
·         Ambá Tupã- Morada dos Espíritos Trovões.
Dos Ancestrais aos Antepassados
Sítio arqueológico é um lugar delimitado onde se realizaram atividades humanas. Pode ter sido um lugar onde moravam pessoas, como uma cabana de palha e madeira. Ou uma caverna, um monte artificial, um cemitério ou um deposito de lixo. Ou ainda um lugar ocupado provisoriamente para a realização de caçadas ou para pintar uma parede. Os Sítios Arqueológicos
Enquanto as águas engoliam uma civilização e pajés da sabedoria se preparavam para levar o Arandu Arakua para Pindorama, o “ lugar dos buritis”, este já abrigava os antepassados dos Tapuia. A paisagem da Memória Tapuia
As pistas deixadas pela Mãe Terra contam que em Minas Gerais, mais precisamente na região de Lagoa Santa, há um s´tio arqueológico muito importante para o conhecimento dos homens que viviam no Brasil entre 11.000 e 7.000anos atrás. Descobrira-se nessa região cavernas com um grande número de sepulturas com mais de duzentos esqueletos. E por esses esqueletos ficamos sabendo que as condições de vida dessa época não eram fáceis. Um terço das crianças morriam ainda pequenas e os adultos raramente ultrapassaram os trinta anos de idade. O Povo da Lagoa Santa
Há aproximadamente 6,000anos as formações vegetais e as condições climáticas do Brasil já eram semelhantes às de hoje: campos extensos no Sul, rodeados de florestas subtropical pela costa litorânea, cerrados no Brasil central e as grandes matas da floresta tropical amazônica. Nesse período, segundo a arqueologia, alguns povos se adaptaram particularmente aos campos que ladeiam as florestas do sul do Brasil
Nesse mesmo período, aproximadamente 6.000 anos atrás, um outro povo vivia no sudeste do Brasil. Desconheciam tanto o arco quanto a flecha bem como as boleadeiras, segundo pesquisas feitas em seus sítios arqueológicos. Esses grupos foram nomeados pelos pesquisadores “povo de Humaitá” ou povo dos bumerangues”, pois encontraram se nessa região objetos lascados de pedra em forma de lua crescente, também conhecido como bumerangues. O Povo da Flecha
Esse povo habitava a floresta, ocupando as matas próximas aos grandes rios. Não viviam somente da caça, mas coletavam moluscos fluviais e frutos silvestres. Este era chamado O Povo de Humaitá Guerreiros do Bumerangue.
Sabaqui é um ajuntamento de conchas, restos de pontas de flechas, machados, cerâmicas, esqueletos, localizado em diversas regiões do Brasil, principalmente no sul. Os sambaquis mostraram aos historiadores (arqueólogos) a existência de comunidades constituídas possivelmente de caçadores e coletores, que detinham uma arte elaborada, expressa nos restos de cerâmica que contêm riqueza de símbolos e originalidades de formas. O Povo dos Sambaquis
Uma Grande Modificação em algumas tribos brasileiras se deu com a descoberta e a implantação de agricultura. Segundo a arqueologia, isso aconteceu há aproximadamente 4.000 anos. Com ela, o homem adquiriu a capacidade de controlar a produção de alimentos, saindo da total dependência daquilo que a natureza espontaneamente lhe oferecia. Alguns dos vegetais plantados pelos cultivadores do Brasil, como milho, o feijão, o tabaco e o algodão, foram trazidos de outra região. Os indígenas agricultores do Brasil, no entanto, desenvolveram seus próprios cultivos: corantes, plantas medicinais, palmeiras. Uma de suas descobertas mais grandiosa foi a do cultivo da mandioca, uma raiz de grande teor nutritivo, mas com algumas espécies venenosas. A arte e a Agricultura
Uma das principais tradições cerâmicas é chamada pelos arqueólogos de “inicio ponteada e se desenvolvendo sobretudo ao longo do rio Tapajós e Konduri. A mais notável civilização amazônica se desenvolveu na foz do rio Amazonas, na grande ilha de Marajó. Por volta de 3. 500anos atrás, um povo, chamado Ananatuba, ocupou as regiões entre as praias e a mata, construindo grandes casas isoladas, que talvez abrigassem 100 ou 150 pessoas cada uma.
Há aproximadamente 1.800 anos teve início um grande processo de inovação e mudança, que levou ao desenvolvimento de uma grande civilização, a chamada “cultura marajoara”. Os marajoaras começaram a ser estudados há pouco tempo e ainda não conhecemos muito sobre eles. A Arte da Cerâmica e o Mistério de Santarém.
Embora os sítios arqueológicos digam que a região amazônica tenha desenvolvido uma arte maravilhosa através da cerâmica e da riqueza de seus símbolos, os planaltos mais frios do sudeste brasileiro conheceram outro desenvolvimento cultural, também concentrado na agricultura e na cerâmica, denominado pela ciência “cultura de Itareré”. Entre 3.000 2.000 anos atrás, essa cultura tinha ligações com as culturas pré-históricas do Uruguai e da Argentina. O Povo de Itararé.
Símbolos serpentinos, triângulos, animais como a rã, a coruja, a onça, o gavião; símbolo do feminino, da gravidez, da abundância, da prosperidade, assim como símbolos de masculino, do sol, da flecha, da lança, da ação, estão presentes como códigos universais em todas matérias achadas em sítios arqueológicos. Na verdade, são fragmentos registrados da produção dos primeiros tempos após o final do Ciclo de Tupã.
Na região amazônica emergiram os antigos ensinamentos que são mantidos até hije em ritos e mitos dos povos indígenas. Os antepassados Tupy atravessaram as águas que apagaram o passado da raça vermelha, gerando os frutos Tupinambá e Tupy-Guarani a partir do imenso amazonas. Os Filhos do Sol, os Filhos da Lua e a Grande Mãe
Ao Longo de cerca de 5.000 anos até a época da chegada dos portugueses, muitos povos vindos do outro lado do oceano passaram pelo Brasil. Alguns vinham comercializar com os antigos daqui, outros vieram se aventurar, e outros ainda para realiza e operações até hoje misteriosas para os estudiosos, além de colonizações esparsas. Por aqui apontaram egípcios, cananeus, tártaros, babilônios, fenícios, hititas, hebreus. A presença deles está registrada em escritas rúnicas, em pedras milenares, ou seja, a escrita dos vikings, assim também em escritas de características, tártaras.
Esses povos registraram sua passagem pelo litoral do sul do Brasil, desde Santa Catarina, passando pelo Sudeste- São Paulo e Rio de Janeiro- até o norte do país. Os Povos Visitantes e a Expansão Tupinambá.
Cabe lembrar que, na época em que Pero Vaz de Caminha escreveu a famosa carta ao rei de Portugal, no Brasil existiam, segundo estudiosos, de 350 a 500 línguas faladas e aproximadamente 20milhoes de habitantes. Era muito clara a influenciado Tupy em grandes partes dessas línguas. As outra predominantes eram: o Karibi, língua presente nas Antilhas (América Central), na América do Sul e principalmente na região amazônica, no alto Xingu. Segundo alguns estudiosos, o karibe e o Tupy podem ter o mesmo berço e sua origem ser justamente o Alto Xingu, pois conservam algumas palavras em comum. \a língua aruak se faz presente em mitos dialetos indígenas brasileiros, nas Guianas, bem como nas Antilhas e na Flórida (Estados Unidos).  O Que Não Foi Descoberto
Na época da chegada de Pedro Álvares Cabral, a visão de mundo predominante nessa terra era Tupi. Todos os outros povos não-tipis eram chamados por eles de Tapuia, que na língua tupy significa “bárbaros”. Os Tupy dividiam então esta terra em Tapuiretama e Tupiretama: dos Tapuia e lugar dos tupy. Na época os antepassados dos Tupy já haviam deixado uma enorme herança cultural, de modo que havia duas línguas tupis distintas: Tupy Guarani e Tupinambá, e em muitos dialetos de outros povos predominava o Tupy. Tapuia, Tupinambá e as Canoas dos Ventos
Esse povo, cujo antepassados saíram há milênios dos centros amazônicos, expandiu-se ao norte pelo rio Amazonas, ao sul pelo Paraguai, a leste pelo Tocantins e a oeste rio Madeira. Viajantes, navegadores e guerreiros, mantinham sua unidade cultural apesar da dispersão por esse imenso Brasil. Referiam-se as suas origens dando nomes de aldeias de sua origem aos novos locais por onde passavam, como uma ramificação do grande clã antepassado. Dessa forma eram reconhecidos seus parentes. Da Expansão À Escravidão
Segundo os historiadores, os portugueses de 1500 tinham colonizado alguns lugares da Àsia. Eles chamavam de colonização o ato de se estabelecerem terras estrangeiras como se fossem deles, colocar nessas terras feitorias (sistemas encarregados de aquisição de bens para a corte real portuguesa) em lugares considerados importantes, geralmente próximos ao litoral, e a partir de seus feitores realizavam a exploração e o comercio de riquezas do lugar. No Brasil, a partir de 1500, após a chegada de Cabral, os lugares escolhidos foram Bahia, Pernambuco e Cabo Frio, onde se estabeleceram os feitores, representantes do rei na colônia e intermediários encarregados do comércio, principalmente da ibirapitanga, o pau-brasil. Aos feitores cabia adquirir as mercadorias dos Nativos e armazená-las. A Grande Noite da Terra
Essa primeira ideia para a captura de escravos não deu certo. Isso porque um guerreiro Tupinambá ou Tupy-Guarani não gostava de negociar um inimigo capturado, pois fazia parte de sua cultura come-lo segundo os costumes rituais, e também porque para um capturado era uma honra ser comido e não escravizado. A colônia, nessa época, achava que os índios deveriam ser doutrinados religiosamente. Nesse momento chegaram os jesuítas, cija tarefa era convencer os índios a abandonar os costumes tidos como selvagens, os rituais profanos, a antropografia, a nudez e a poligamia. Assim, em 1549 chegava a primeira missão jesuítica por Manuel da Nobrega, composta de oito missionários, entre os quais José de Anchieta. Guerras, Guerreiros e Escravos
Destinada a durar cinco anos, a oca era erguida com varas, fechada e coberta com sapé. Seu tamanho dependia do número de pessoas que ali habitariam, que podia variar de cinquenta a cem. Sem janelas, tinha uma abertura em cada extremidade. Estava repartida em nichos, um diante do outro. Para erguer uma maloca, ou seja, um conjunto de ocas, eram necessários de quarenta e cinquenta pessoas. Em cada nicho pendurava-se uma ini, rede,ou esteira. Dentro de uma oca havia igaçabas (potes), cuias, nhempepó (panelas), gamelas, porongos, arcos, flechas, bordunas, aves, animais, no centro a tatarendaba (foqueira) sempre acesa. No alto, o tipiti (espremedor de mandioca), a urupema (peneira grande). Puçá para pescarias e o induá (pilão). Esses eram alguns dos costumes dos Tupinambá e dos Tupinikim da época. A Aldeia Tupinambá  
Quando o Brasil foi dividido pelos dragões, os Tupuia se refugiaram no centro do pa´s, lugar que futuramente seria conhecido como Goias. Dragões os governadores das campinas. Por esse tempo, os Tupinanbá, distantes da Tradição do Sol, fizeram a passagem para sua morada espiritual, a Terra sem males, pelo caminho da Batalha. Os Tupy- Guarani, após dois séculos de guerras, buscaram a Terra sem males pelo caminho da \oração, através de seus cantos e peregrinações a lugares de Poder, ou seja, lugares que ligam os mundos do Céu e da Terra através de tapés, que são portais de luz. Os Tapuia seguiram o Sonho. E nessa época, dos antigos povos Tapuia, os que mais preservaram a tradição do Sonho foram os Xavante. O sonho é o momento sagrado em que o espírito está livre e em que ele realiza várias tarefas; purifica o corpo físico sua morada; viaja até a morada ancestral; muitas vezes, voa pela aldeia; e algumas vezes, através de Wahutedew´á, o Espirito, do Tempo, vai até as margens do futuro, assim como caminha pelas trilhas do passado. Era o Sonho que centralizava uma aldeia xavante. O Sonho da Panificação do Branco
Para o povo indígena, os ancestrais que regem a natureza acompanha toda a evolução humana, como semeadores que regem a natureza acompanham toda a evolução humana, como semeadores que espalham sementes pela terra observam, nutrem e cuidam até elas frutificaram. O índio surgiu desses ancestrais sagrados: sol. Lua, arco-íris, terra, água, fogo e ar. Dos reinos vegetais, animal, mineral. O ser índio foi se amalgamando com esses seres sagrados. E dessa diversidade emergiram tribos, povos, línguas. Essas tribos, de tão antigas, guardam a história de suas civilizações como um sonho-memória, de um tempo tão remoto que parece até mesmo anteceder a memória do tempo. Esse sonho-memória foi ativado a tradição dos povos de Goiás, Mato Grasso, Minas Gerais. Os Avanços do Sonho
Os olhos e as mentes intelectuais da humanidade começaram no século XX a reconhecer os povos nativos como culturas diferentes das civilizações oficiais e vislumbraram contribuições sócias e ambientais deixadas pelos guerreiros que tiveram os sonhos como professores. Mas a maior contribuição que os povos da floresta pode deixar ao homem branco é a pratica de ser uno com a natureza interna de si. A tradição do Sol, da Lua e da Grande Mãe ensinam que tudo se desdobra de uma fonte única, formando uma trama sagrada da relações e inter-relações, de modo que tudo se conecta a tudo. O pulsar de uma estrela na noite é o mesmo do coração. Homens, árvores, serras, rios e marres são um corpo, com ações interdependentes. Esse conceito só pode ser compreendido através do coração, ou seja, da natureza interna de cada um. Quando os humanos das cidades petrificadas largaram as armas do intelecto, essa contribuição será compreendida. Nesse momento, entretanto entraremos no Ciclo da Unidade, e a Terra sem Males se manifestará no reino humano. Somos Parte da Terra e Ela é Parte de Nós
Alguns mitos indígenas dizem que o território situado entre o que é hoje o Planalto Central e a região amazônica guarda a memória do começo do planalto Central e a região amazônica guarda a memória do começo do mundo. Os povos que habitavam próximo ao rio Tapajós deixaram uma arte complexa e bela, admirada até hoje no mundo inteiro. Uma das uma arte complexa e bela, admirada até hoje no mundo inteiro. Uma das culturas que se desenvolveram naquela região é a tradição marajoara, devido a já citada cerâmica. Baseados em relatos colhidos a partir do início do século XVI, inicialmente por aventureiros em busca do Eldorado, como Francisco de Orellana, e posteriormente por jesuítas, dos mitos nativos e da ciência antropológica, desenvolveu-se ali uma civilização que primava pela arte que cultuava a Grande Mãe, ou como prefere a arqueologia, idolatrava ídolos femininos. O Começo do Mundo
No princípio o mundo não existia. As trevas cobriam tudo. Enquanto não havia nada, apareceu a mulher por si mesma. Isso aconteceu no meio das trevas. Ela apareceu sustentando-se sobre o seu banco de quartzo branco. Enquanto aparecia, ela cobriu-se como enfeites e fez com um quarto. Esse quarto chama-se Uhtaboho taribu, o quarto de quartzo branco. Ela se chamava Yebá Burô, a Avó do Mundo, ou Avó da terra. Origem do Mundo e da Humanidade
Depois ela pensou em colocar pessoas nessa grande maloca do universo. Voltou a mascar ipadu e de fumar cigarro. Todas essas coisas eram especiais; não eram feitas como as de hoje. Ela tirou ipadu da boca e fez transformar em homens, os Avôs do Mundo. Eles eram trovões, eram chamados em conjunto Uhtabohowerimahsã, quer dizer, homens de quartzo branco, porque eles são eternos, eles não são como nós. Isso ele fez no quarto de quartzo branco, onde ela apareceu. Em seguida, ela saudou os homens por ela criados, chamando-os Umukosurã, isto é, irmãos do mundo. Saudou-os como se fossem seus irmãos. Eles responderam chamando-a Um ukosurãnehko, isto é tataravó do mundo. Quer dizer que ela era avó de todo ser que existe no mundo. Os Cinco Trovões
Criador, cujo coração é o Sol, tataravô desse Sol que vemos, soprou seu cachimbo sagrado e da fumaça desse cachimbo se fez a Mãe Terra. Chamou sete anciães e disse: “Gostaria que criassem ali uma humanidade. Os anciães navegaram em uma canoa que era uma cobra de fogo pelo céu; e a cobra- canoa levou-os até a Terra. Logo eles ali depositaram os desenhos-se-mentes de tudo o que viria a existir. Então eles criaram o primeiro ser humano e dissera: Você é o guardião da roça. Estava criado o homem. O primeiro homem desceu do céu através do arco-íriss em que os ancães s e transformaram. Seu nome era Nanderuvuçu, o nosso Pai Antepassado, o que viria a ser Sol. E logo os anciães fizeram surgir das Águas do Grande rio Nanderykei-cy, a nossa Mãe Antepassada. Depois que eles geraram a humanidade, um se transformou no Sol, e a outra na Lua. São nossas tataravós. Um Mito Tupy- Guarani
Dois homens foram postos na Terra por meio do arco –íris. Eram Butsewawe e Tsa amri. Seus nomes foram dados pela Voz do Alto. Eles tiveram compaixão um do outro porque não havia companheira. Após sentir tal compaixão, a Voz do Alto disse: Tire quatro pauzinhos e coloque dois de cada lado. Risque um de vermelho e um de preto. Terminando o trabalho, Butsewawe chamou Tsa amri e disse: Escolha conforme a sua preferência. E Tsa amri escolheu o pauzinho de risco vermelho. O pauzinho de risco preto ficou para Butsewawe. E ogo depois, surgiu uma mulher para Tsa amri, do pauzinho vermelho. E do pauzinho preto surgiu uma mulher para Butsewawe. Daí aconteceu o primeiro casamento e os dois entenderam o significado do pauzinho da
Seguinte maneira: a cor do pauzinho que tinha transformado em mulher era conforme a escolha deles, a marca do clã, estabelecendo assim a organização da decência. Depois disso cada um deu o nome para sua própria mulher. A origem do Mundo Segundo os Xavante.
Essas histórias revelam o jeito do povo indígena contar sua origem, a origem do mundo, do cosmo, e também mostra como funciona o pensamento nativo. Os antropólogos chamam de mitos, e algumas dessas histórias são denominadas lendas. No entanto, para o povo indígena é um jeito de narrar outras realidades ou contrapartes do mundo em que vivemos. De maneira geral, pode-se dizer que o índio classifica a realidade como uma pedra de cristal lapidado que tem muitas faces. N´s vivemos em sua totalidade, porém só aprendemos parte dela através dos olhos externos. Para serem descritas, é necessário ativar o encanto para imaginarmos como são as faces que não podem ser expressas por palavras. A Criação do Mundo Segundo os Yanomami
Os povos chamados “Tapuia” npo século XVI pelos Tupinambá e “negros da terra” pelos primeiros colonos portugueses de São Paulo são catalogados hoje por antropólogos em número de 206 “nações” indígenas, somados os que restaram dos guerreiros descendentes dos Tupy. No correr destes últimos quinhentos anos, a civilização ocidental cresceu, expandiu-se e, principalmente no século XX, voltaram a encontra-los, e até hoje, de vez em quando, topam com povos nunca antes visto, nem pelos próprios Tapuia. Nesta década, a partir de 1980, historiadores e antropólogos procuraram fazer um levantamento da contribuição nativa para a sociedade brasileira. Embora não reconhecida pela sociedade, é enorme a contribuição indígena à cultura brasileira. Infelizmente, há também a exploração do saber indígena, por exemplo, em relação à fitoterapia por parte de laboratórios farmacêuticos estrangeiros com falsos intuitos científicos e grandes propósitos de lucro fáceis. A Contribuição Tapuia à Cultura Brasileira 
Fato desconhecido pelo ocidental, a terra já era cultivada pelos indígenas. A exemplo disso, os Kayapó, apesar da diversidade ecológica das savana e cerrados, sabiam que o ciclo das chuvas e secas fornecem grande abundância de recursos naturais. Assim, os Kayapó localizavam depressões no terreno de 1 a 2 metros de diâmetro e de50 a 60 centímetro de profundidade as preenchiam como palha misturada como cupinzeiros de pedaços esmagados de formigueiros, bem como cupins e formigas vivas, para que estes brigassem entre si, deixando assim os brotos em paz e decompondo e agregando nutrientes ao solo, onde plantavam espécies úteis, formando ilhas de florestas em pleno cerrado. Essas ilhas são compostas de arvores frutíferas que atraem caça, trepadeiras que produzem agua potável, árvores que dão sombra, lenha, formando espécies semidomesticas e ilhas de recursos. Afora esse método, também outros ameríndios faziam o remanejamento internacional do hábitat a fim de estimular o crescimento de comunidades vegetais e a sua integração com comunidades animais e com o próprio homem. Cultivo da Terra
Não existe um levantamento exato das espécies vegetais conhecidas e utilizadas pelos indígenas, mesmo porque os índios “batizam” as plantas em sua língua nativa. Assim, muitas espécies ainda não têm equivalentes ás plantas cientificamente catalogadas. As numerosas espécies de planta usadas pelos indígenas, umas silvestres, outras cultivadas, são empregadas para diversos fins, tais como alimentação, tecnologia (construção de casas, meios de transportes, utensílios domésticos e de trabalho), ornamentação pessoal e produção de corantes, venenos ou drogas; uso magico e jogos. Classificação de Plantas
Entre o final do século XIX e o ìnicio do XX, um médico e historiador paraguaio, profundo estudioso do povo guarani, Dr. Moisés Santiago Bertoni, autor de uma grande obra intitulada A Civilização Guarani, incluiu em um dos seus volumes o relato das contribuições que a cultura nativa havia deixado para a saúde, a ética e a filosofia, pois tais contribuições poderiam ser de grande utilidade para a então sociedade emergente, ocidental e mestiça, que, de certa forma, resulta na civilização atual. Bertone enumera as seguintes contribuições, higiênicas, cientificas e cabíveis em qualquer sociedade. Contribuição Para a Saúde, a Ética e a Filosofia
Só quebrado na época das guerras e sistemas de escravidão do passado, obrigou muitas vezes a alterar o ritmo tradicional, que consistia em banhos frequentíssimos; a sabedoria de saber empregar exercícios físicos com moderação desde a infância, na forma de ritos interativos com a natureza e através de arte da dança e dos cantos; a utilização do jejum com higiene interna, como medicamento e como fortalecimento espiritual. O respeito ao ritmo e ciclo de organismo e das funções orgânicas, através do descanso apropriado e da atividade correta, reconhecendo o sono como sagrado tanto como a ação. A alimentação a base de frutas, mel, raízes (mandioca, Batata, Milho, etc.) sementes energéticas (amendoim guaraná e feijão, etc..,  a carne de peixe dentro do ciclo da estação propícia, e a carne de animal somente de maneira ritual, muito bem assada, para eliminar toxinas e a ligação psicoespiritual do sofrimento. O uso da bebida levemente ferventada ao invés da bebida alcóolica, consumida de maneira moderada.  O segredo da Boa Saúde, a Ética e a filosofia
A pratica da filosofia guarani, ensinada nas aldeias, é a arte domínio sobre si mesmo. O desenvolvimento capacidade de lidar com suas dores físicas e morais invocando sempre o espirito da sabedoria. O domínio sobre si mesmo começa na infância as crianças são conscientizadas da diferença entre alimentação e gula. Os ritos de passagem criança-jovem-adulto têm por finalidade ética atentar para o domínio dos reflexos, dos sentidos, dos desejos e paixões. Nunca tais ritos tiveram ou tem por premissa repressão e sim o desafio de viver no espaço da liberdade. Por isso, não se castiga os filhos, mas estimulam sua liberdade individual e contam com o ciclo do tempo e das estações internas do ser para aos poucos mostrar-se a responsabilidade da liberdade. O Desenvolvimento Ético  
A Tribo dividiu-se para multiplicar as experiências do ser. A tribo surgiu no mundo externo para o ser conseguir suportar a sua grande noite. Assim pensam os Kaiowá, os seres da mata. Na tradição guarani, cada coisa que vemos hoje é uma imagem da imagem da imagem do que verdadeiramente é; por isso, recorre-se aos cantos de origem e as danças do clã, para suportarem ser um pápilo reflexo do ser. Uma imagem que se esvanece diante da raiz ancestral. Para os Bororo, somos o eco dos ancestrais; por isso, habitamos na caverna do mundo, e das visões ancestrais temos as estrelas. As estrelas são os nossos avós irmãos mais velhos. Amanhã seremos estrelas e também e deixaremos ecos nesta caverna. Esta caverna é sagrada, a escola onde o som aprende a fazer brilhar seu pulsar. A Educação da Tribo
Quando se percorre o caminho do guerreiro, o aprendizado baseia-se na seiva da memória que percorre das raízes, passando pelo tronco, aos galhos e folhas dessa árvore da vida que busca o sol. Como já disse, pela memória sabe-se que tribo e espirito acontecem juntos. O espirito acontece dentro de você é uma interconexão de mitos. No caminho do guerreiro, cabe a você discernir os seus mitos, os verdadeiros e os falsos. O que foi tecido pelos fios divinos e o que foi tecido pelos fios humanos. Cabe a você desafiar. Quando você principia a discernir, você torna-se um txucarramãe, ou seja, torna-se um guerreiro sem armas. O Espirito do Espirito
Índio, clã tribo, espírito se integram de tal maneira que não se carece de religião, no sentido ocidental da palavrar e também no sentido do que fizeram do sentido original da palavra. Conforme se diz, a palavrar vem do latim religare, religar. Religar com algumas coisas. Com o Divino, como Deus. Foi essa ideia trazida para estes trópicos no século XVI. Vimos que no decorrer deste século tem-se tentado manifestar essas ideias nos templos, catedrais, capelas, livros. E vê-se que essa idéia não se manifesta na atitude da civilização. Enquanto isso, o espaço entre a idéia e a atitude tem gerado a miséria humana. A palavra corre pelo governo humano sem espírito, sem cumprimento do que se diz. Pois palavra e espirito estão longe. A voz sai morta, porém recheada de maquilagem para dar a impressão de vida. A palavrar assina tratado de paz enquanto a mão acena guerra. A religião é surda, pois o espirito está mudo. A Surdez a Audição da Religião
Existem algumas características fonéticas na estrutura da língua indígena totalmente diferentes das da língua portuguesa. Como a cultura indígena é tradicionalmente oral e no passado possui uma escrita ideogramática, suas expressões foram adaptadas para a gramática ocidental.  No Brasil, foi José de Anchieta quem primeiro organizou a gramática indígena, no século XVI, unificando os falares da floresta a uma língua boa. A partir do século XVIII agregaram-se as influencias Karib e aruaK da região amazônica. O nheengatu, ou nhencatu, foi a língua oficial brasileira até o século XIX- o português era falado somente pela corte nas reuniões parlamentares. Mas através de um decreto, d João VI determinou a proibição da fala dos chamados brasilienses, os mestiços descendentes da as das três raças que formaram o povo brasileiro, para que Portugal não perdesse a hegemonia política e cultural. Assim, o português foi se impondo nestes últimos duzentos anos e acabou se tornando a língua oficial do país. Gramática Indígena
A língua indígena, principalmente o tupy, através dos tupinambás, está presente hoje no nosso cotidiano: na fauna, flora, topônimos e expressões cotidianas. Estudiosos verificaram, por exemplo, que de mil nomes de aves 350 eram designações tupis, de 550 peixes, metade é identificada com nomes tupis, e a geografia brasileira é principalmente batizada com nomes nativos. E até hoje temos a presença do nheengatu- basta observar a fala brasileira do interior e o português cotiando das cidades:  “ Chega de nhenbenbe´m. (nbem= fala, na língua tupi)
“ Não dixe a peteca air” (peteca, palavra tupi, que significa “bater com as mãos”)
Algumas palavras: soco, socar, amendoim, paca, jacu, Tainá, Jacaré, pitanga, caipira, caipora, caiçara, Cumbica, cumbuca, iara.  Contribuições da Língua Indígena para o Brasil
Em julho de 1997, a Fundação Peirópolis teve a oportunidade de participar da Conferência Internacional de Educação em valores Humanos, na Índia. Nosso coração bateu mais forte quando nos deparamos com o número de participantes: mais de 20 mil pessoas, educadores e jovens, compartilhando seu conhecimento, suas experiências e seus anseios. Era gente do mundo todo, de diferentes culturas, com diferentes visões de mundo. O retrato de um renascimento. Uma fotografia da rica paisagem mental que ainda tem espaço no mundo, foca no amor, na paz, no respeito pelas diferenças e na busca de propostas integradoras que possam alterar os rumos da vida neste planeta. Um Novo Olhar